Era o terceiro de quatro filhos de Francisco António Ferreira, cirurgião do Exército, natural de Pousaflores, Leiria, e Feliciana Jerónima Marrecas Ferreira, natural de Évora.
Estudou no Real Colégio Militar, onde ingressou aos treze anos e, concluído o curso em 1864, iniciou a carreira militar. Em 1875, completou o Curso de Engenharia Militar da Escola do Exército. Como condição obrigatória para essa formação frequentou, na Escola Politécnica, o Curso preparatório para Engenheiros Militares, de 1868 a 1872, onde obteve formação científica em ciências físico-matemáticas e filosofia natural. Nessa instituição foi julgado aluno distinto no primeiro ano do curso, em cadeiras de matemática e física.
Iniciou o professorado na Escola do Exército em 1880, assumindo a regência de cadeiras na área de construção. Em 1884, tornou-se lente da cadeira Resistência Aplicada, Pontes, permanecendo com essa responsabilidade até 1914, quando sai da instituição. Em 1910 abandonara a carreira militar, tornando-se lente civil.
No Instituto Industrial e Comercial de Lisboa (IICL) foi nomeado lente proprietário da cadeira Operações Financeiras, por concurso, em 1886. Nessa nova cadeira do Curso Superior de Comércio principiava o ensino de assuntos de actuariado em Portugal. Em 1903, sucedeu-lhe na cátedra o comercialista Augusto Patrício dos Prazeres e passa, então, a reger a cadeira Álgebra Superior, Geometria Analítica, Cálculo Infinitesimal. Foi o primeiro diretor da instituição sucessora do IICL, o Instituto Superior de Comércio (ISC) e aí continuou com a regência de cadeiras de matemáticas – Cálculo Infinitesimal e de Probabilidades; e Estatística. Aposentou-se com 72 anos, em 1923.
A par da carreira de magistério, exerceu, desde 1887, funções como engenheiro das obras públicas.
Na carreira militar, atingiu o posto de tenente-coronel de Engenharia, em 1895, passando à reserva em 1902.
Na ACL foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Matemáticas, Físicas e Naturais, a 1 de abril de 1880. O parecer, da secção de Ciências Matemáticas, favorável à sua nomeação, elenca os textos publicados, maioritariamente em geometria, “muito apreciáveis e interessantes”, que lhe conferem reputação de “talentoso e infatigável cultor” das ciências matemáticas. Nele, é referido o artigo que Marrecas Ferreira publicou no
Segundo o catálogo
Na área do actuariado tem apenas um texto publicado, a tese elaborada para concurso ao lugar de lente da cadeira Operações financeiras do IICL, de seu título
Ainda na temática de actuariado, é de notar o contributo de Marrecas Ferreira ao nível da regulamentação da indústria dos seguros, a par com Prazeres. Segundo Beirão da Veiga (1933), desses “ilustres cultores da ciência actuarial” é “a obra inicial de toda a nossa legislação técnica de seguros e de previdência”.
A Associação de Actuários Portugueses (AAP), criada em 1926, foi a primeira associação profissional nacional de actuários e Marrecas Ferreira, já professor aposentado do ISC, faz parte da lista de sócios fundadores. No entanto, a AAP teve uma existência efémera; em meados de 1930 já havia sido extinta. O atual Instituto dos Atuários Portugueses, fundado em 1945, é considerado seu sucessor.
Marrecas Ferreira pertenceu à Sociedade de Geografia de Lisboa, destacando-se o envolvimento na primeira expedição científica à Serra da Estrela, em 1881. Ficou responsável pela Secção de Etnografia, sendo da sua autoria o respetivo relatório de trabalhos publicado em 1883, e fez parte da Secção de Hidrografia, bem como da Comissão Administrativa. Foi também sócio correspondente do Instituto de Coimbra.
Dos cargos assumidos em instituições diversas, identificam-se o de presidente da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses, vice-presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal e vice-presidente da Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha. No mundo da política, pertenceu ao efémero movimento da Esquerda Dinástica.
Foi agraciado com diversas ordens. Em 1886, cavaleiro e oficial da Antiga, Nobilíssima e esclarecida Ordem de S. Tiago, do mérito científico, literário e artístico, em 1888, comendador e cavaleiro da Ordem Militar de S. Bento de Aviz, e comendador da Ordem da Coroa de Itália. Recebeu a medalha militar de prata, de comportamento exemplar, em 1889.
Faleceu em Lisboa, com 76 anos.