Dicionário Histórico-Biográfico da Academia das Ciências de Lisboa

Pesquisa Avançada

Túlio António Joaquim da Silva António da Silva Túlio, Barão de Alfenim (pseudónimo), Barão A. (pseudónimo), Visconde XXX (pseudónimo) Lisboa Lisboa Historiador e jornalista. Sócio correspondente, efetivo e de mérito na Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras. António da Silva Túlio.png Retrato de António da Silva Túlio (1818-1884), in Processo académico. ASS_António da Silva Túlio.jpg

Com apenas dezoito anos, António da Silva Túlio iniciou a sua atividade profissional no cartório notarial de José Caldas Aulete, que o apresentou a figuras ilustres como António Feliciano de Castilho, Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco e Alexandre Herculano.

Em 1844, assumiu funções na então Biblioteca Nacional de Lisboa, como oficial da secção de manuscritos e dos jornais políticos e literários. Em 1863, ascendeu ao cargo de bibliotecário e conservador da 2.ª repartição (História e Literatura) desta mesma instituição, desempenhando um papel fundamental na sua reforma administrativa e organizacional. Exerceu interinamente o cargo de diretor, durante a ausência de José da Silva Mendes Leal. Enquanto representante da Biblioteca, fez parte, com Augusto Soromenho e António José Viale, da delegação portuguesa ao I Congresso Internacional de Orientalistas (Paris, 1873). É possível que aqui tenha conhecido Cunha Rivara, cofundador do Instituto Vasco da Gama, do qual foi sócio.

Em 1861, fez parte da turma inaugural do Curso Superior de Letras. Mais tarde, veio a ser representante da Academia Real das Ciências em concursos e provas para o preenchimento de lugares de professor daquele Curso.

Silva Túlio desenvolveu uma intensa atividade jornalística, tendo dirigido os periódicos A Época (1848-1849), A Semana (1851-1852) e Revista Contemporanea de Portugal e Brazil (1864), e o semanário ilustrado Archivo Pittoresco (1860-1865). Contribuiu com diversos textos, recorrendo ocasionalmente aos pseudónimos “Barão de Alfenim” e “Visconde XXX”. Dado o debate que se fazia sentir na imprensa portuguesa em torno do iberismo, tornou-se membro da Comissão Central do 1.º de Dezembro de 1640.

A sua participação em associações científicas foi vasta, tendo fundado a Sociedade Madrepérola e a Associação dos Jornalistas e Escritores Portugueses, e feito parte da Associação Promotora dos Estudos Orientais e Glóticos em Portugal, da Real Associação dos Arquitetos Civis e Arqueólogos Portugueses, da Sociedade Escolástico-Filomática de Lisboa, da Associação Literária Internacional de Paris, da Sociedade Ligura de História Pátria, do Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro, do Gabinete Português de Leitura em Pernambuco, da Sociedade Portuguesa de Estudos Históricos, bem como da Sociedade Académica Franco-Hispano-Portuguesa de Toulouse.

Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 28 de janeiro de 1858, passando a sócio efetivo da 4.ª secção (História e Arqueologia), de que foi presidente (1876), a 8 de abril de 1862. Exerceu ainda os cargos de vice-secretário (1871) e de secretário da Classe (1872-1873), e de administrador da Tipografia (1873-1884). Além de ter sido subscritor de cerca de 14 pareceres sobre candidaturas de diversas personalidades a sócio correspondente da Academia, foi também secretário da comissão da Academia Real das Ciências responsável pela trasladação dos restos mortais de Luís Vaz de Camões (1880). A 3 de janeiro de 1878, foi nomeado sócio de mérito desta instituição.

Vida de Costa Cabral, Lisboa, Typographia de M. J. Coelho, 1844; “Crónica”, in A Época, 26(411), 1848; As Trevas em S. Carlos!, Lisboa, [s. e.], 1850; Rilhafolles em São Carlos (pamphleto theatral), Lisboa, Tip. do Jornal do Comércio, 1854; A universidade no púlpito de Lisboa. A Revolução de Setembro (n.ºs 4041 e 4164), 1855; Archivo Pittoresco: semanario illustrado, Lisboa, Castro, Irmão & C.ª, 1858-1865; Com Eduardo Coelho, A Vida d’um Principe: estudo romantico-historico, Introd., Lisboa, Typ. de J. da Costa, 1860, pp. 5-7; Catalogo da Camoneana da Bibliotheca Pública Municipal do Porto. Ordenado por um dos officiaes guarda-salas da mesma Bibliotheca, Porto, Biblioteca Pública Municipal do Porto, 1880; Com Júlio de Castilho, Camoneana da Bibliotheca Nacional de Lisboa, Lisboa, Typographia da Academia Real das Sciencias, 1880; Com Augusto M. Quintela Emaús, Catalogo das Livrarias do... António da Silva Tullio e do... Augusto M. de Quintella Emauz: obras clássicas, latinas, portuguezas e francezas, Lisboa, Typographia da Viuva Sousa Neves, 1884. AHA – ACL, Processo académico, PT/ACL/ACL/C/001/1858-01-28/AJST; AH-ACL, Pareceres elaborados por António da Silva Túlio, https://tinyurl.com/4yee4uht (Acesso: 24.11.2025); A.N.T.T., “Auto da entrega feita pela abadessa do Convento de Santa Ana de Lisboa, Maria da Conceição de São Francisco de Assis, do caixão com os ossos de Luís de Camões à comissão da Academia Real das Ciências, nomeada para os receber pela portaria de 15 de maio de 1855”, in Gavetas, Gav. 16, mç. 3, n.º 54 , PT/TT/GAV/16/3/54, 1880; [s. n.], “Túlio (António da Silva)”, in Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. XXXIII, Lisboa/Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, Limitada, [s.d.], pp. 176-177; A.N.T.T., “Mercês de D. Maria II”, liv. 22, in Registo Geral de Mercês, PT/TT/RGM/H/0022, pp. 247-248; SILVA, Inocêncio Francisco da, “António da Silva Túlio”, in Diccionario Bibliographico Portuguez, tomo I, Lisboa, Imprensa Nacional, 1858, pp. 271-272; AN e MPP, “António da Silva Túlio”, in Textos e Contextos do Orientalismo Português, 2019, https://tecop.bnportugal.gov.pt/np4/t%C3%BAlio.html (Acesso: 26.11.2025). DHB portuguesa correspondente efetivo de mérito Ciências Morais, Políticas e Belas Letras História e Antiguidades