Dicionário Histórico-Biográfico da Academia das Ciências de Lisboa

Pesquisa Avançada

Andrade Joaquim Navarro de Guimarães Santo Ildefonso (Porto) Médico, professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Sócio correspondente. Joaquim Navarro de Andrade.png Joaquim Navarro de Andrade (1764-1831). Retrato a óleo da autoria de António José Pereira, 1825. Sociedade Martins Sarmento, Guimarães. Ass_Joaquim-Navarro-de-Andrade.png

Nasceu no seio de uma família da elite vimaranense, filho de Sebastião Navarro de Andrade e Ana Luísa Campos Pereira, era irmão de João de Campos Navarro de Andrade, Sebastião Navarro de Andrade e de Vicente Navarro de Andrade.

Doutorou-se em Medina (20.8.1788) na Universidade de Coimbra, onde viria a ser lente de Instituições Médico-cirúrgicas, de Anatomia e de Aforismos. Jubilou-se como 1º lente por carta régia de 21.6.1822.

Cavaleiro da Ordem de Cristo com dispensa de provanças e habilitações (1801), foi depois deputado da Real Junta da Diretoria Geral de Estudos (1807 – 1812). Serviu também no Batalhão Académico de 1808. Neste mesmo ano integrou, juntamente com José Bernardo de Vasconcelos Corte-Real, opositor na faculdade de Leis e Fr. Luís do Coração de Maria, ajudante do Observatório Astronómico, a redação do periódico Minerva Lusitana (1808/1811) que havia sido criado por incitava do então governador e vice-reitor da Universidade de Coimbra, Manuel Pais de Aragão Trigoso, numa altura em que se ainda se lutava contra a 1ª invasão francesa.

Nomeado, por carta régia de 12.7.1817, diretor literário da Academia Real da Marinha e Comércio do Porto, tomou posse apenas em 18.2.1818, mantendo-se neste cargo até 19.8.1836, data a partir da qual a Academia Real da Marinha e Comércio daria lugar à Academia Politécnica do Porto.

A Academia Real da Marinha e Comércio tinha sido criada, em 1803, a instâncias Junta da Administração da Companhia dos Vinhos do Alto Douro, suportada pela burguesia comercial portuense, a qual reivindicou, junto de D. João VI, a criação de um estabelecimento de ensino superior na cidade do Porto onde, até à data e ao contrário de Lisboa e de Coimbra, só existiam estabelecimentos de ensino secundário. À Junta foi atribuída a função inspetiva da Academia, mas, de facto, era dela que dependia a organização e funcionamento deste novo estabelecimento. Em 1817, foi então criado o cargo de diretor literário da Academia e Navarro de Andrade foi o seu primeiro e único ocupante. Durante a sua vigência, Navarro de Andrade manteve uma relação tensa com direção efetiva da Junta a quem acusava de “devassa de todas as suas informações” (Azevedo, p. 141).

A instauração do regime liberal (1820) e, depois, a tomadas do poder pelos miguelistas (1828), tiveram diferentes reflexos no funcionamento da Academia Real da Marinha e Comércio do Porto. Durante a vigência liberal, a redução dos gastos orçamentais constituiu uma, de entre outras, iniciativas da Comissão de Instrução Pública das Cortes a qual se traduziu pela redução do salário do diretor literário para um sexto do valor inicial, o que motivaria um protesto de Navarro de Andrade, expresso na sua Representação ás Cortes Geraes, Extraordinarias da Nação Portugueza (1822); já no reinado de D. Miguel (1828 – 1834) seria o corpo docente a sofrer algumas expulsões motivadas por desavenças e perseguições políticas movidas aos liberais. De assinalar são também as exposições de Navarro de Andrade a D. João VI, ainda no Brasil, no sentido de conferir um estatuto universitário à Academia Real de Marinha e Comércio (Cândido dos Santos, p. 424).

A 1 de janeiro de 1819 foi eleito correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa, tendo agradecido, em carta datada de 7 de janeiro de 1820, endereçada ao então secretário da Academia, Francisco de Mendo Trigoso.

Em 26.9.1822, foi feito médico honorário da Real Câmara e elevado às honras de Físico-Mor do reino. Cerca de um mês depois (19.10.1822), seria feito fidalgo cavaleiro, com 1600 réis de moradia e um alqueire de cevada por dia e, por carta régia de 2.10.1823, recebeu o título de membro do Conselho Régio.

Veio a falecer a 18.6.1831, em Santo Ildefonso (Porto), estando sepultado na Igreja dos Carmelitas da mesma cidade, conforme vontade expresso no seu testamento.

Primaram Linearum Physiologiae Alberti Haller sine commentariis illustratio, sive locupletissimus earumdem cullenianae editionis index, Conimbricae,1810; Oratio in exequiis Augustissimae et Fidelissimae uniti Regni ex Portugallia et Brasilia, Algarbiisque Reginae Mariae Primae, etc, Fluvii Januarii Typis Regiis, 1818; Distributio Methodica interpretandorum Aphorismorum Hippocrates, superiori jussu in usos academicos, juxta nosologicam meodum Chirurgiae practicae Plenckii primarumque linearum praxeos medicinalis Cullenii, instituta et ordinata, Conimbricrae, 1819; Carta apologetica e analytica ao redactor do periodico intitulado “Portuguez» impresso em Londres, Lisboa, Typ. Rollandiana, 1822; Representação ás Cortes Geraes, Extraordinarias da Nação Portugueza, Coimbra, Imprensa da Universidade, l822. AH – ACL, Processo académico, PT/ACL/ACL/C/001/1819-12-01/JNA; ANTT, Diligência de habilitação para a Ordem de Cristo de Joaquim Navarro de Andrade, Mesa da Consciência e Ordens, Habilitações para a Ordem de Cristo, Letra I e J, mç. 66, n.º 63, PT/TT/MCO/A-C/002-009/0066/00063; ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João VI, liv. 17, f. 11, PT/TT/RGM/F/0100/145113: e liv. 16, f. 211, PT/TT/RGM/F/0016; ldem, liv. 17, fl. 175; Arquivo Municipal do Porto, Registo de testamento com que faleceu o Conselheiro Joaquim Navarro de Andrade, director da Academia Real da Marinha, e Comércio, https://gisaweb.cm-porto.pt/units-of-description/documents/819817/ (Acesso: 24.6.2025); SILVA, Francisco Inocêncio da, Diccionario Bibliographico Portuguez, tomo IV, Lisboa, Imprensa Nacional, 1860, pp. 136 e 137; MARTINS, Francisco, “Um friso de vimaranenses ilustres. Os Navarros de Andrade”, Revista de Guimarães, 46 (1-2) Jan.-Jun. 1936, p. 34-72 (Acesso: 23.6.2025); AZEVEDO, Rafael Ávila de, “O porto na época moderna - Da Academia Real da Marinha e Comércio do Porto à Academia Politécnica do Porto”, Revista de História, vol. 04, 1981, pp. 133-150, https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/6535.pdf (Aceso: 24.6.2025); SANTOS, Cândido dos, “O Porto e a instrução pública: a Academia Real da Marinha e Comércio (1803-1837)”, in Estudos em homenagem ao Professor Doutor José Marques, vol. 1, Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2006, pp. 415-427, https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/4837.pdf (Acesso:24.6.2025); RODRIGUES, André (dir.), “Andrade, Joaquim navarro de”, Memoria Professorum Universitatis Conimbricensis (1772 – 1837), Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, 1992, pp. 193-194. DHB portuguesa correspondente Ciências da Observação