Órfão de pai muito cedo, fez a sua formação em colégios jesuítas de Reims e de Paris e revelou desde cedo aptidão e interesse pela matemática. Ao longo das décadas de 1760 e de 1770 publicou diversos artigos e livros sobre cálculo diferencial e integral e sobre teoria das probabilidades. Discípulo de d’Alembert, admirador e biógrafo de Voltaire, Condorcet manteve grande proximidade intelectual e política com Anne Robert Jacques Turgot, sobretudo durante o período em que este foi responsável máximo pela organização financeira da monarquia francesa, entre 1774 e 1776. Condorcet foi adjunto de Turgot, na qualidade de inspetor das finanças, e assimilou a modernidade do seu pensamento económico sobre os conceitos de valor, capital e riqueza, assim como as suas orientações em matéria de política económica visando uma menor intervenção do Estado, em benefício da concorrência entre agentes no mercado. Foi ainda neste período que desenvolveu os primeiros trabalhos sobre uniformização de pesos e medidas, tendo em vista a criação do sistema métrico decimal.
Após a queda do ministério Turgot, Condorcet regressou aos temas científicos que moldaram a fase inicial da sua carreira pública. Aplicou os seus conhecimentos matemáticos à análise de problemas de caráter social e político, procurando evidenciar a utilidade da estatística e do cálculo probabilístico em situações de tomada de decisão política. Neste sentido, merece destaque o estudo que publicou em 1785 intitulado
A experiência colaborativa com Turgot foi essencial para as suas tomadas de posição sobre matérias económicas e financeiras após a Revolução de 1789, à qual Condorcet aderiu sem hesitação. Em outubro de 1791 foi nomeado secretário da Assembleia Legislativa, destacando-se os seus discursos em defesa da instrução pública gratuita, universal e laica.
Participou ativamente na esfera pública, com colaboração regular na
Condorcet foi um dos proponentes da Convenção Nacional em setembro de 1792, alinhando com a fação moderada dos girondinos. No julgamento de Louis XVI manifestou-se contra a pena de morte do rei, o que foi motivo para se tornar alvo a atingir pelo terror jacobino. Refugiou-se durante quase 8 meses na cidade de Paris e arredores, não conseguindo evitar a prisão em 26 de março de 1794, morrendo dois dias depois por causas que ficaram por apurar (morte natural, suicídio ou envenenamento).
Em 1795 foi postumamente publicada a obra que tornaria Condorcet num autor de leitura obrigatória por quem se interessa por temas de filosofia da história. O livro
Nicolas de Caritat, marquês de Condorcet, foi casado com Sophie de Grouchy, com quem manteve sólida relação no plano intelectual e político. O seu salão em Paris foi visitado por importantes figuras da França ilustrada e visitantes estrangeiros (entre os quais Thomas Jefferson e Cesare Beccaria), sobretudo no período anterior à Revolução. Sophie traduziu para francês a
Condorcet foi, indubitavelmente, uma figura central do Século das Luzes. Cobriu uma ampla variedade de interesses científicos e intelectuais, deixando marcas do seu pensamento inovador em diversos domínios do conhecimento. Além de membro destacado das Academias francesas, Condorcet foi eleito sócio correspondente das Academias de S. Petersburgo, Turim, Estocolmo, Pádua, Berlim e Filadélfia.
A sua eleição como sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa ocorreu em 1788, no ano que antecede a Revolução Francesa, não existindo qualquer registo comprovativo da sua interação com autores portugueses. Tratava-se, decerto, do reconhecimento dos méritos de um matemático ilustre que fora colaborador de Turgot, ministro reformador e esclarecido de Luís XVI. No entanto (conforme destacou Cecília Honório), as suas propostas sobre instrução pública viriam mais tarde a influenciar o